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Esposa Modelo
Raquel era uma mulher querida, paciente e simples. Casou-se muito jovem e viveu dez anos em perfeita harmonia com seu marido, mas sem ter o lar alegrado com a presença de um filho. Ora, o Livro de Moisés, em relação aos casamentos estéreis, não deixava margem para a menor dúvida:
Se a mulher não conceber ao fim de dez anos, o marido pode requerer o divórcio.
Decorridos os dez anos e mais dez dias, o marido, bastante constrangido, disse a ela:
— Raquel, há dez anos estamos casados e não recebemos, em nosso lar, até agora, a bênção de um filho. Triste, bem triste será para mim morrer sem deixar, sobre a terra, um herdeiro de meu nome! O que fazer? Raquel não respondeu. Seus olhos encheram-se de lágrimas.
Amava seu marido e sabia que era muito, muito amada por ele. Com o espírito cheio de aflição, disse-lhe:
— O caso é simples. Vamos procurar o rabi Simeão. Ele decretará hoje mesmo o nosso divórcio.
Encaminhou-se o casal para a residência do famoso rabi Simeão Ben Yohai. A alegação do marido era irretorquível diante da Lei. A boa Raquel sabia e já estava conformada com a triste sorte. Rabi Simeão, sereno e melancólico, depois de ouvir os cônjuges, condicionou:
— A vossa união, lembro-me bem, foi celebrada com um banquete. Exijo que da mesma forma seja celebrada a vossa separação.
E, voltando-se para o marido, acrescentou, num tom repousado e firme:
— Imponho, entretanto, uma condição. Terminado o banquete terá Raquel a liberdade de escolher, em tua casa, e levar para a casa de seu pai, aquilo que for de mais precioso para ela. Concordas?
— Sim, concordo — aquiesceu o marido.
Realizou-se o imponente banquete da separação. Muitos eram os convidados; deliciosos os vinhos e apetitosos os manjares. Já bem tarde, o marido disse à esposa:
— Vamos, querida. Escolhe logo a jóia que mais ambicionas e leva para a casa de teu pai. Não te esqueças do que prometeste ao rabi.
— Ainda é cedo — desculpava-se Raquel, afogada numa tristeza passiva.
— Deixa-me desfrutar, durante mais alguns instantes, da tua companhia e da companhia de teus amigos.
Decorrido algum tempo, o marido, já estonteado de sono, insistia:
— Já escolheste, querida Leva aquilo que mais te agradar jóias, móveis, alfaias — não importa. Leva, já disse, o que mais te agradar.
— Ainda não escolhi, meu amor.
E em seus olhos, sempre tão meigos e serenos, percebia-se um misto de ansiedade e de dor. Ao romper da manhã, e ao findar da festa, o marido, vencido pela fadiga, adormeceu pesadamente. Que fez a diligente Raquel? Chamou os servos e disse-lhes, com fugidio rubor no rosto:
— Levem meu marido, assim como está, sem despertá-lo, para a casa de meu pai.
Quando o marido acordou, inteiramente alheio ao que havia ocorrido, perguntou à esposa?
— Onde estou eu?
A dedicada Raquel esclareceu com o mesmo sorriso resignado e triste
— Estás na casa de meu pai.
— E por que vim para aqui? — estranhou ele.
Feita uma pausa indicativa de embaraço, ela esclareceu:
— Aceitaste a condição do rabi e determinaste que eu escolhesse o que de mais precioso para mim houvesse em tua casa e trouxesse comigo para o lar de meu pai. Ora, para mim, nada há no mundo de mais precioso do que o meu marido. Foi, pois, a ti, unicamente a ti, que eu escolhi!
Sentiu-se o homem tocado no mais íntimo da alma pela dedicação e pela doçura de sua esposa. Nesse mesmo dia, o casal voltou à presença do rabi.
E o marido declarou enternecido, mas numa firmeza inabalável:
— É esta a minha esposa, ó rabi! É esta a companheira ideal de minha vida! Amo-a ainda agora como sempre a amei. Com filhos, ou sem filhos, não importa só a morte nos poderá separar!
Maridos, amem suas esposas como a si próprios. (Efésios 5:28)



“O amor é paciente, é benigno; o amor não arde em ciúmes, não se ufana, não se ensoberbece, não se conduz inconvenientemente, não procura os seus interesses, não se exaspera, não se ressente do mal;
não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. (ICor. 13:4-7)